Quem passeia pela natureza depressa repara: as reações alérgicas nos animais de companhia não são raras. Quando o tempo ameno chega ou o clima muda, a vegetação desperta e, para muitos donos de cães, surge o reverso da medalha. Em certas épocas do ano, há um tema que enche regularmente os consultórios veterinários: as alergias no cão.
Para quem tem um cão, é penoso vê-lo a coçar-se sem parar, a roer as patas até ficarem em ferida ou a não conseguir descansar à noite por causa da comichão. Muitos donos conhecem bem esta situação, porque as alergias estão hoje entre as doenças crónicas mais frequentes nos cães domésticos. Este guia mostra-te como interpretar os sinais, que desencadeantes surgem em determinadas estações ou durante todo o ano e como podes aliviar o teu cão de forma eficaz.
Porque é que as mudanças de estação são uma fase crítica para os alérgicos
Talvez te perguntes por que razão o teu cão começa a coçar-se mais em certas alturas. A resposta está na meteorologia e na biologia. Quando as temperaturas sobem ao longo do ano, as plantas de floração precoce, como a aveleira e o amieiro, e mais tarde as gramíneas e as ervas libertam pólen para o ar. Para os cães com dermatite atópica (alergia ambiental), este é muitas vezes o início de vários meses de desconforto.
Ao mesmo tempo, os períodos de tempo ameno fazem com que os ectoparasitas, como pulgas e carraças, se mantenham ativos ou despertem mais cedo. Se queres reconhecer e tratar as alergias no cão a tempo, é importante observar com atenção, antes que a pele do teu cão inflame e surjam infeções secundárias por bactérias ou leveduras.
Os três grandes: desencadeantes típicos das alergias no cão
Na medicina veterinária, nas alergias caninas distinguem-se sobretudo três grandes desencadeantes. Conhecê-los é importante, porque o tratamento difere por completo consoante a causa.
1. A alergia ambiental (dermatite atópica)
A atopia é comparável à febre do feno nos humanos, mas no cão manifesta-se sobretudo através da pele. Os desencadeantes circulam no ar ambiente. Entre eles estão os ácaros do pó doméstico, os bolores e o pólen de gramíneas, árvores e ervas, que varia consoante a estação. Os cães absorvem estes alergénios não só pelas vias respiratórias, mas sobretudo através da barreira cutânea. Se o teu cão se coça mais depois do passeio, o pólen pode ser a causa.
2. A alergia alimentar
A alergia alimentar é um tema durante todo o ano e completamente independente das estações. Muitas vezes assume-se, erradamente, que os cereais são o principal desencadeante. No entanto, os estudos científicos mostram outro cenário: na maioria dos casos, os cães reagem a proteínas animais. Vaca, frango, lacticínios e borrego lideram a lista. Também os conservantes ou os ácaros presentes na ração seca podem ser problemáticos. Uma alergia destas pode surgir de forma espontânea, mesmo que o teu cão tenha tolerado a alimentação sem problemas durante anos.
3. A alergia à saliva da pulga (DAPP/FAD)
É a doença alérgica da pele mais comum no cão. A picada de uma única pulga basta para desencadear, num cão sensibilizado, uma comichão intensa que dura semanas. Como sublinham as organizações especializadas em controlo de parasitas em animais de companhia, uma profilaxia antiparasitária consistente é o passo mais importante na prevenção.
Sintomas: como reconhecer uma alergia?
Os cães não conseguem comunicar o desconforto com palavras. Mostram-no através do comportamento e de alterações físicas. Olhos a lacrimejar ou espirros são pouco frequentes nas alergias caninas. O principal órgão da reação alérgica no cão é a pele. Presta atenção aos seguintes sinais de alerta:
- Lamber e roer em excesso: sobretudo nas patas (o chamado «lamber de patas»), nos flancos ou na base da cauda.
- Vermelhidão e hot spots: a pele da barriga, das axilas ou da virilha está muito vermelha ou apresenta zonas húmidas e com pus.
- Otites crónicas: otites recorrentes (otite externa), muitas vezes acompanhadas de cheiro intenso e secreção escura, são um indício clássico, e frequentemente ignorado, de alergias no cão.
- Problemas gastrointestinais: vómitos frequentes, flatulência ou diarreia crónica apontam muitas vezes para uma alergia alimentar.
- Esfregar a cara: o cão esfrega constantemente a cara em tapetes ou móveis.
Predisposição racial: alguns cães são mais suscetíveis?
A genética tem aqui um papel importante: certas raças têm um risco significativamente mais elevado de desenvolver uma alergia. Entre elas estão sobretudo o Bulldog Francês, o Golden Retriever, o Labrador Retriever, o West Highland White Terrier, o Boxer e o Pastor Alemão.
Se estás à procura de um novo membro de quatro patas para a família, deves informar-te bem de antemão. Na nossa visão geral das raças encontras informações detalhadas sobre as diferentes raças de cães. Dá também uma vista de olhos às características de saúde de cada raça, para perceberes se o cão dos teus sonhos tem predisposição para problemas de pele ou alergias. Quem está bem informado pode agir de forma preventiva desde o início.
O caminho até ao diagnóstico: como proceder agora
Os veterinários desaconselham experimentar remédios caseiros por conta própria quando a comichão já é intensa. O caminho até ao diagnóstico exige conhecimento veterinário e, muitas vezes, paciência, porque uma alergia é sempre um diagnóstico de exclusão.
- Controlo de parasitas: primeiro, o veterinário exclui que pulgas, ácaros (como Sarcoptes ou Demodex) ou uma micose cutânea sejam responsáveis pela comichão.
- Dieta de exclusão (dieta de eliminação): para comprovar uma alergia alimentar, durante 6 a 8 semanas o cão recebe estritamente uma fonte de proteína que nunca comeu antes (por exemplo, cavalo, insetos ou ração hidrolisada). Nesta fase, não podem ser dados petiscos extra, restos da mesa nem artigos de mastigar. Se os sintomas desaparecerem, segue-se uma provocação dirigida com a alimentação anterior, para confirmar o resultado.
- Teste de alergia: se os parasitas e a alimentação forem excluídos como causa, mantém-se a suspeita de alergia ambiental. Aqui, análises sanguíneas serológicas ou testes intradérmicos podem ajudar a identificar os alergénios ambientais responsáveis (por exemplo, certos pólenes ou ácaros), para definir as medidas terapêuticas.
Abordagens de tratamento e alívio no dia a dia
Na maioria dos casos, uma alergia não tem cura, mas hoje pode ser acompanhada de forma estruturada pela medicina veterinária. Na prática de dermatologia veterinária recorre-se, para isso, a abordagens terapêuticas multimodais.
Terapia médica
Em crises agudas, por exemplo durante os picos sazonais de pólen, existem medicamentos eficazes. Os princípios ativos modernos atuam de forma direcionada no ciclo da comichão. Além disso, existe a possibilidade de uma imunoterapia específica para alergénios (ASIT), na qual se pretende habituar gradualmente o sistema imunitário aos alergénios desencadeantes.
O que podes fazer já como dono
- Banho de patas: depois do passeio, convém enxaguar as patas e a zona da barriga com água limpa, para remover o pólen à superfície.
- Cuidados com a pele: champôs medicinais específicos, recomendados pelo veterinário, ajudam a lavar os alergénios e a apoiar a barreira cutânea.
- Ácidos gordos ómega-3: ácidos gordos de qualidade (EPA e DHA) contribuem para apoiar a função normal da pele.
- Atenção ao calendário polínico: ajusta os horários dos passeios. Com tempo seco e ventoso há mais pólen no ar; podes dar preferência aos passeios depois de aguaceiros ou às horas do dia com menos alergénios.
FAQ – Perguntas frequentes sobre alergias nos cães
1. Um cão pode desenvolver uma alergia de repente?
Sim. Em regra, os cães não nascem com uma alergia. Precisam de ter contacto repetido com o alergénio antes de o sistema imunitário mostrar uma reação exagerada (sensibilização). A maioria das alergias ambientais manifesta-se entre um e três anos de idade. As alergias alimentares também podem surgir mais tarde, mesmo com tipos de alimentação que foram bem tolerados durante muito tempo.
2. «Sem cereais» é a solução para as alergias alimentares?
É um mito muito difundido. A maioria das alergias alimentares nos cães é desencadeada por proteínas animais, como vaca, aves ou lacticínios. Por isso, só uma alimentação sem cereais raramente resolve o problema, a não ser que exista uma intolerância comprovada ao trigo. Uma dieta de eliminação acompanhada pelo veterinário permite obter aqui uma resposta fiável.
3. Posso dar ao meu cão os meus comprimidos para alergias (anti-histamínicos)?
Não, isto não deve ser feito de forma alguma sem falar com o veterinário. Embora certos anti-histamínicos sejam usados em medicina veterinária, as doses diferem bastante e o grau de eficácia é diferente do que se verifica nos humanos. Além disso, alguns medicamentos humanos contêm aditivos tóxicos para cães. Perante comichão persistente, deves sempre recorrer a uma clínica veterinária.
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