Finalmente chegou a altura: a primavera está aqui! Os dias estão a ficar mais longos, o sol aquece o pelo do seu fiel companheiro e os passeios pelas florestas e prados voltam a ser um verdadeiro prazer. No entanto, abril de 2026 não traz apenas temperaturas amenas e paisagens floridas. Marca também o início da época alta de uma das pragas mais irritantes e perigosas para os nossos cães: a carraça.
Se nestes dias passear com o seu cão por ervas altas, elas já estarão à espreita nas hastes e na vegetação rasteira. A proteção contra carraças em cães é, por isso, agora, em abril de 2026, o tema prioritário para qualquer dono responsável. Como especialista em cães e jornalista, perguntam-me frequentemente: o que é que realmente ajuda? Os produtos químicos são inevitáveis? Qual é a utilidade das coleiras de âmbar e do óleo de coco? Neste guia abrangente, vamos desmistificar mitos e mostrar-lhe como proteger eficazmente o seu melhor amigo contra parasitas e as doenças a eles associadas.
Porque é que abril de 2026 é particularmente crítico para os nossos cães
Não nos enganemos: os tempos em que as carraças eram um problema apenas no pino do verão já lá vão. Devido às alterações climáticas e a invernos cada vez mais amenos, os veterinários e parasitologistas registam uma atividade extrema de carraças logo no início do ano. Este ano, já estamos a observar em abril uma verdadeira explosão populacional da carraça-comum (a espécie mais frequente) e, sobretudo, da temida carraça-do-pântano.
A carraça-do-pântano, que antigamente era mais comum no sul da Europa, espalhou-se agora por quase todas as nossas latitudes. Ela torna-se ativa logo que as temperaturas ultrapassam o ponto de congelação. Por isso, o aviso é claro: quem ainda não estabeleceu uma proteção fiável contra carraças no seu cão está a jogar com a saúde do animal.
Que doenças são transmitidas pelas carraças aos cães?
Uma carraça não é apenas nojenta quando se fixa, cheia de sangue, no pelo do seu cão. Ela é um vetor extremamente perigoso para vários agentes patogénicos. Entre as doenças mais comuns e perigosas encontram-se:
- Borreliose de Lyme: A doença mais conhecida transmitida por carraças. As bactérias (borrélias) atacam as articulações e causam claudicação, febre e letargia. O perigo: os sintomas aparecem muitas vezes apenas semanas ou meses após a picada.
- Babesiose (Malária canina): Esta doença é transmitida principalmente pela carraça-do-pântano. As babésias destroem os glóbulos vermelhos do cão. Se não for tratada, a babesiose pode ser fatal em poucos dias. Urina de cor escura e febre alta são sinais de alerta absoluto.
- Anaplasmose: Semelhante à borreliose, os cães sofrem aqui de febre, dores articulares e fraqueza geral. Os agentes atacam os glóbulos brancos.
- FSME (Meningoencefalite): Embora os cães adoeçam com menos frequência do que os humanos, o vírus FSME pode causar danos neurológicos graves no animal.
Pode encontrar mais informações fundamentadas e atualizadas sobre as áreas de propagação destas doenças no site da ESCCAP (European Scientific Counsel Companion Animal Parasites), uma organização independente de especialistas que se dedica intensamente aos parasitas em animais de estimação.
Proteção contra carraças em cães: Resumo dos métodos mais eficazes
O mercado de proteção contra parasitas é vasto e complexo. Desde coleiras a comprimidos mastigáveis e sprays, existem inúmeros produtos. Mas nem todos os meios se adequam a todos os cães. O preparado ideal depende de fatores como a idade, estado de saúde, tipo de pelo e também hábitos de vida. Vamos analisar mais de perto os métodos mais comuns e cientificamente comprovados para a proteção contra carraças em cães.
1. Pipetas Spot-On: A camada protetora líquida
Os Spot-Ons são pequenas pipetas cujo conteúdo líquido é aplicado na nuca do cão (e, no caso de cães grandes, adicionalmente na base da cauda). A substância ativa espalha-se em 24 a 48 horas pela camada superior da pele e pelas glândulas sebáceas por todo o corpo.
- Modo de ação: Muitos Spot-Ons têm um efeito "repelente", ou seja, afastam a carraça antes mesmo de ela picar. Outros matam a carraça assim que ela pica.
- Vantagens: Aplicação simples, geralmente mantém-se fiável durante quatro semanas.
- Desvantagens: Nos primeiros dias após a aplicação, o cão não deve tomar banho, caso contrário a substância ativa pode ir para a água e prejudicar organismos aquáticos. Além disso, cães que adoram nadar perdem a proteção mais rapidamente.
2. Coleiras contra carraças: Proteção de longa duração para o verão
As coleiras especiais contra carraças (disponíveis exclusivamente em veterinários ou farmácias) libertam a sua substância ativa continuamente através da fricção na pele e no pelo do cão.
- Modo de ação: Frequentemente têm um forte efeito repelente (dissuasor) e simultaneamente acaricida.
- Vantagens: Duração de ação extremamente longa. Uma boa coleira pode oferecer proteção até oito meses – garantindo cobertura de abril até ao final do outono.
- Desvantagens: A coleira deve ser usada permanentemente. No caso de cães que dormem na cama com crianças pequenas, as coleiras por vezes não são a primeira escolha dos pais.
3. Comprimidos mastigáveis: Proteção a partir do interior
Nos últimos anos, os comprimidos mastigáveis revolucionaram o mercado. O cão ingere o comprimido, que geralmente tem sabor a carne, como se fosse um petisco.
- Modo de ação: Sistémico. A substância ativa entra na corrente sanguínea. Se uma carraça picar o cão, ingere a substância com o sangue e morre rapidamente, antes que agentes patogénicos perigosos como as borrélias (que muitas vezes precisam de 12 a 24 horas para serem transmitidas) possam entrar no cão.
- Vantagens: Gosta de água? Sem problema. Contacto próximo com crianças? Totalmente seguro. A substância ativa está segura dentro do cão, não sobre o cão.
- Desvantagens: Não existe efeito repelente. A carraça tem de picar para morrer. Por isso, encontrará ocasionalmente carraças mortas e secas no pelo. Além disso, os comprimidos mastigáveis não são bem tolerados por alguns cães com sistemas gastrointestinais sensíveis.
A Bundestierärztekammer (BTK) recomenda geralmente que a escolha do preparado seja sempre acordada individualmente com o veterinário assistente, uma vez que também devem ser considerados defeitos genéticos como o MDR1 (comum em cães de pastoreio).
4. Alternativas naturais: Facto ou ficção?
Muitos donos de cães evitam o uso de químicos e procuram formas naturais de proteção. No entanto, como jornalista e amigo dos cães, é necessária uma honestidade implacável: a maioria destes meios não cumpre o que promete.
Coleiras de âmbar e coleiras de cerâmica EM: Diz-se que alteram o campo eletromagnético do cão. Cientificamente, isto é um absurdo total. Uma carraça não se deixa impressionar por uma pedra. Quem confia nestes métodos arrisca a saúde do seu cão.
Óleo de coco e óleo de cominho preto: O ácido láurico contido no óleo de coco mostrou de facto um ligeiro efeito repelente sobre as carraças em ensaios laboratoriais. Na prática, porém, isto significa que teria de esfregar o seu cão total e generosamente com óleo antes de cada passeio. O cão fica gorduroso, atrai sujidade e a proteção está longe de se aproximar dos preparados médicos. Óleos essenciais como o óleo de tea tree são, além disso, altamente tóxicos para cães e nunca devem ser aplicados!
Após o passeio: O programa obrigatório
Independentemente da proteção contra carraças que escolher para o seu cão: não existe uma garantia de 100%. A inspeção minuciosa após cada passeio na natureza é obrigatória. Isto é particularmente importante neste clima húmido e ameno de abril, que as carraças tanto adoram.
As carraças preferem locais onde a pele é fina e bem irrigada. Preste especial atenção a:
- Zona da cabeça, pescoço e nuca
- Interior das coxas
- Axilas e barriga
- Entre os dedos
- Atrás e dentro das orelhas
O esforço da inspeção depende muito da raça do seu cão. Num Dálmata de pelo curto, o controlo das carraças resolve-se em dois minutos. No entanto, se tiver um cão com subpelo denso ou pelo comprido – como, por exemplo, um Boiadeiro de Berna ou um Golden Retriever – deve procurar profundamente no pelo e palpar no sentido contrário ao crescimento. Se tiver interesse geral em saber quanto esforço de manutenção as diferentes raças exigem, não deixe de consultar a abrangente visão geral das raças na HonestDog.
A remoção correta: Nada de rodar!
Se encontrar uma carraça, ela deve ser removida o mais rapidamente possível. Utilize para o efeito uma pinça para carraças, um gancho ou um cartão próprio. Pinças normais são apenas parcialmente adequadas, pois frequentemente esmagam o corpo da carraça, fazendo com que esta liberte ainda mais agentes patogénicos na ferida.
- Coloque a ferramenta o mais próximo possível da pele.
- Segure a carraça pela cabeça, não pelo corpo inchado.
- Puxe a carraça lenta e firmemente, para cima ou exercendo uma leve alavanca. Não rode! As carraças não têm rosca no seu aparelho bucal, mas sim ganchos.
- Desinfete o local da picada de seguida e observe-o nos dias seguintes.
Vacinação para o cão: Faz sentido?
Existe uma vacina contra a borreliose de Lyme para cães. Esta vacina não impede que a carraça pique, mas assegura que as borrélias no intestino da carraça sejam bloqueadas antes de poderem entrar no cão. No entanto, a vacinação é controversa. Não cobre todas as estirpes de borrélias existentes na Europa e, naturalmente, não protege contra outras doenças como a babesiose ou a anaplasmose. Assim, uma proteção parasitária externa ou interna continua a ser obrigatória, apesar da vacina.
Conclusão: Encontre a proteção ideal para o seu companheiro
Abril de 2026 mostra-nos claramente: a época das carraças não perdoa negligências. A melhor proteção contra carraças em cães é aquela que é aplicada consistentemente e que se adapta ao vosso dia a dia. Quer seja Spot-On, coleira ou comprimido mastigável – discuta a melhor estratégia com o seu veterinário e torne a inspeção diária uma rotina após os vossos passeios primaveris. Assim, poderão desfrutar da natureza em flor sem preocupações.
Nós na HonestDog sabemos o quanto o bem-estar do seu cão é importante para si. Confiança e transparência são fundamentais para nós – não só quando se trata de dicas de cuidado e guias de saúde, mas já na fase de aquisição do seu fiel companheiro. Se você ou os seus amigos ainda estiverem à procura do novo membro perfeito para a família, consultem a nossa visão geral das raças HonestDog. Lá encontrará informações verificadas e poderá garantir que o seu futuro cão provém de um criador sério e responsável.
Perguntas frequentes sobre proteção contra carraças (FAQ)
1. Posso usar o spray repelente de carraças para humanos no meu cão?
De forma alguma! Os sprays para humanos contêm frequentemente ingredientes que podem ser tóxicos para os cães ou, pelo menos, irritar fortemente as suas mucosas extremamente sensíveis. Além disso, os cães lambem o pelo, o que os levaria a ingerir oralmente os químicos. Utilize exclusivamente preparados de medicina veterinária especificamente aprovados para cães.
2. O que devo fazer se a cabeça da carraça ficar presa ao ser removida?
Não entre em pânico! O que fica preso geralmente não é a cabeça, mas sim o aparelho picador. É comparável a uma farpa de madeira. Simplesmente desinfete bem o local e observe-o. Na grande maioria dos casos, o corpo encapsula o resto da carraça e expulsa-o por si mesmo após alguns dias. Já não existe um risco acrescido de transmissão de borreliose. Vá ao veterinário apenas se o local ficar muito vermelho, inchado ou com pus.
3. Durante quanto tempo após uma picada de carraça devo observar o meu cão para sintomas de doença?
Essa é a ratoeira das doenças transmitidas por carraças: o período de incubação é muito longo. Na babesiose (malária canina), os primeiros sintomas podem surgir entre poucos dias a três semanas (febre alta, urina escura). Na borreliose, demora frequentemente semanas ou até meses até o cão mostrar os primeiros sintomas inespecíficos, como claudicação intermitente ou episódios de febre. Portanto, se o seu cão ficar subitamente apático ou coxear no início do verão, informe o veterinário sobre eventuais picadas de carraças em abril.
